EXPLORAÇÃO, IMPROVISAÇÃO E CRIAÇÃO NA APRENDIZAGEM MUSICAL

Horário: 11 sessões (33 Horas) de 19 janeiro a 25 de fevereiro de 2016 (terças e quintas) | Pós-laboral (19h00 > 22h00)

Créditos: 1.3 UC (CCPFC) Professores do Grupo 250 e 610

Formador: João Costa

Concluiu o Curso Superior de Violoncelo na ESMAE-IPP e como violoncelista foi membro do quarteto de cordas “Ethos”, colaborou com orquestras profissionais, gravou para a banda sonora de filmes e para diversos grupos. A sua actividade pedagógica dividiu-se entre a leccionação de diversas disciplinas em escolas do ensino vocacional de música e pela gestão de diversos projetos artísticos e pedagógicos, nacionais e internacionais, destacando-se a criação da Escola de Música de Perosinho, da qual foi director pedagógico entre 1996 e 2009 sendo, actualmente, o seu Diretor Artístico. Foi Coordenador de Projetos com Instituições da Direção de Educação e Investigação da Casa da Música em 2005. É detentor de uma Pós-Graduação em Gestão e Animação de Projectos no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular e de um Mestrado em Ciências da Educação. Frequenta o 3º ano do Curso Doutoral de Educação Artística da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Destinatários: Professores da área de Artes Gráficas/Artes Visuais, professores dos grupos 250 e 610 do EB. Interessados na área da educação artística.

Propinas:

Estudantes, Docentes e Funcionários UP/FBAUP: 2 prestações de 62,50 Euros |
Público em Geral: 2 prestações de 71,50 Euros |
Seguro escolar: 2,00 Euros |

INSCRIÇÕES ATÉ 05 DE JANEIRO DE 2016.

Candidaturas e Inscrição

Para candidatar-se, selecione a opção INSCRIÇÕES ONLINE

Introdução:

A área das expressões tem vindo a sofrer uma desvalorização nos currículos escolares em favor de áreas como a matemática, as ciências e as línguas. Em vez de aproveitar o potencial formativo e educativo das expressões, a “escola” tem-se centrado em criar mecanismos de avaliação e aferição de competências cognitivas, desvalorizando as “soft skills” e as oportunidades de envolver as crianças e alunos em contextos formativos alternativos, que requeiram outras formas de estar, de pensar e de agir. Tendo em conta a dificuldade que as áreas das expressões têm tido para se afirmar como componente relevante da formação dos alunos e crianças – junto dos responsáveis políticos, docentes de outras áreas e encarregados de educação –  é necessário repensar qual a melhor forma de integração num sistema que, muitas vezes, é demasiado rígido, formatado e reativo perante a implementação de formas alternativas de envolver os alunos. Há também uma grande dificuldade sentida pelos professores ao nível da sua formação inicial que, em muitos casos, poderá ter sido desadequada ao tipo de currículo em população escolar que hoje se encontra nas escolas.

Objetivos:

A formação contínua de professores de expressão e educação musical do ensino pré-escolar e básico proposta não pretende ser um receituário de propostas concretas que se possam aplicar acriticamente com crianças. Pretende-se construir, juntamente com os formandos, caminhos autónomos e individuais que tenham em atenção as características pessoais, profissionais e formativas dos professores, assim como as características dos alunos e o contexto em que se desenvolve o ato educativo. Do ponto de vista conceptual, há dois objectivos principais: 1) o questionamento do papel das expressões, mais especificamente da expressão musical, na formação das crianças e alunos, no currículo e na escola e 2) a mudança de paradigma no âmbito do trabalho realizado em sala de aula, favorecendo a prática e a criação musical, em detrimento de uma adequação da música ao modelo “tradicional” de fruição e aquisição teórica de conhecimentos, factos e conceitos musicais.
A ação proposta pretende envolver os formandos numa prática musical que os faça abandonar posturas passivas, colaborando ativamente em atividades de exploração, improvisação e criação de produtos musicais.
No final da ação de formação, que será teórica-prática, pretende-se que os formandos sejam capazes de reflectir criticamente acerca do papel da música no desenvolvimento holístico das crianças, do papel que esta pode desempenhar em articulação com outras áreas curriculares e na forma adequada de envolver os seus alunos em atividades mais relevantes e enriquecedoras.


Programa

A acção de formação será teórico-prática. Tentar-se-á manter uma articulação permanente entre a defesa de uma concepção de intervenção educativa na área da música e a aplicação prática no âmbito da sala de aula. Aos formandos será solicitada a participação ativa nas sessões em diversos domínios como a conceção de projetos, de atividades e na prática musical.

  1. Contextualização e inserção das modalidades de ensino e prática musical em Portugal (1 hora):
  • Caracterização das modalidades de ensino de música;
  • Caracterização dos diferentes tipos de ensino de acordo com os seus objectivos específicos;
  • Definir o papel dos professores/educadores/animadores em cada tipo de intervenção.
  1. Caracterização da população escolar e possibilidades de intervenção educativa (2 horas):
  • Características de desenvolvimento das crianças ao nível musical;
  • Planificar, dinamizar e avaliar actividades de ensino aprendizagem, no domínio da educação musical, em função dos estádios desenvolvimentais dos alunos (focando-se na aquisição das diversas linguagens e do desenvolvimento motor)
  1. A abordagem prática e a abordagem estética (6 horas):
  • Apresentação dos modelos de abordagem (filosofia, objectivos, estratégias, abordagens didácticas, atividades concretas a realizar com os alunos)
  • Experimentação de diversas abordagens que envolvam a prática musical, com e sem instrumentos musicais
  • A criação musical (com e sem objectivos programáticos) e a improvisação livre
  1. O trabalho de projeto artístico (6 horas):
  • Identificar e caracterizar as diferentes etapas da metodologia de projecto;
  • Desenhar um projecto Artístico, utilizando as ferramentas da metodologia de projecto, articulando o Projecto Curricular de turma e o Projecto Educativo da Escola.
  1. Desenvolvimento de um projeto de prática artística com os formandos (12 horas) 
  1. Apresentação e discussão dos trabalhos (6 horas)

Notas:

  1. Os conteúdos apresentados não têm uma ordem rígida e serão integrados de forma articulada ao longo da formação;
  2. Como trabalho final dos formandos será solicitada a apresentação de um projeto desenvolvido no contexto profissional de cada formando. O modelo do projeto, assim como a sua apresentação, serão negociados entre formadores e formandos.

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INFORMAÇÕES:

Pagamento:

Prestação 1: paga no ato da inscrição, até ao dia 05 de janeiro de 2016.

Prestação 2: paga até ao dia 08 de fevereiro de 2016.

É obrigatória a entrega da DECLARAÇÃO DE PAGAMENTO ANTES  da data de início do curso.

Número máximo de participantes: 25 (vinte e cinco)

A SERIAÇÃO DOS CANDIDATOS É FEITA PELA ORDEM DE VALIDAÇÃO DAS INSCRIÇÕES.

CONDIÇÕES DE FREQUÊNCIA DA AÇÃO PARA EFEITOS DE PROGRESSÃO NA CARREIRA DOCENTE:
– Ser detentor de habilitação profissional para a docência nos grupos de recrutamento 250 e 610.

REGIME DE AVALIAÇÃO DOS FORMANDOS

  • Assiduidade (10%)
  • Participação nas atividades propostas (40%)
  • Plano do projeto apresentado (10%)
  • Desenvolvimento autónomo do projeto – avaliação do portefólio (escrito ou vídeo) (20%)
  • Apresentação do trabalho (10%)
  • Reflexão auto-crítica (escrita) (10%)

O referencial da escala de avaliação será previsto no n.º 2 do artigo 46.º do Estatuto da carreira Docente, aprovado pelo Decreto-lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro:
Excelente – de 9 a 10 valores
Muito Bom – de 8 a 8,9 valores
Bom – de 6,5 a 7,9 valores
Regular – de 5 a 6,4 valores
Insuficiente – de 1 a 4,9 valores

Não serão certificados formandos cuja participação seja inferior a dois terços da duração do curso de formação, conforme o entendimento do Conselho Científico da formação Contínua, descrito no ponto n.º 2 da Carta Circular CCPFC 1/2007.

MODELO DE AVALIAÇÃO DA AÇÃO
As metodologias a utilizar serão diversificadas (informativas, demonstrativas e ativas) tendo sempre em consideração o grupo de formandos e as dinâmicas criadas durante as sessões de formação, para além da natureza das atividades. Tentar-se-á sempre uma articulação com a dimensão experiencial e com a ligação ao contexto profissional dos formandos.
Para além do trabalho nas sessões de formação, será solicitado aos formandos que desenvolvam trabalho de projeto autónomo e, se possível, com os seus alunos. O resultado do projeto desenvolvido será apresentado, presencialmente ou em vídeo) nas últimas sessões da formação.

BIBLIOGRAFIA FUNDAMENTAL

CZIKSZENTMIHALYI, M. & LEFEVRE, J. (1989) “Optimal experience in work and leisure”. Journal of Personality and Social Psychology, 56, 815–22.

ELLIOT, D. (1995). Music Matters: A New Philosophy of Music Education. New York: Oxford University Press.

FREIRE, P. (1996) Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

GORDON, E. (2000) – Teoria de Aprendizagem Musical para Recém-Nascidos e Crianças em Idade Pré-Escolar. Trad. de Paulo Maria Rodrigues. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian

HALLAM, S. & CREECH, A., (Editors) (2010). Music Education in the 21st Century in the United Kingdom – Achievements, analysis and aspirations. Bedford Way Papers. Institute of Education, University of London

PAYNTER, J. (2002) “Music in the School Curriculum: Why Bother?” British Journal of Music Education, 2002, 19:3, Pag 215-226

RANCIÈRE, J. (2002). O mestre ignorante – Cinco lições sobre a emancipação intelectual. Belo Horizonte: Autentica

RODARI, G. – Gramática da Fantasia – Introdução à arte de inventar histórias

SLOBODA, J. A. (2005). Exploring the musical mind: Cognition, emotion, ability, function. Oxford: Oxford University Press – LIVRO

SWANWICK, K. (1999). Teaching  Music Musically. Routledge, 1999

SWANWICK, K. & TILLMAN, J. (1986) “The sequence of musical development”. British Journal of Music Education, 3, 305–39.

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